Descontrução ou Reconstrução da Masculinidade?

Por Kássia Souza, Jaques Machado e Michelle Raphaelli

“o homem precisa se auto-afirmar enquanto ser masculino, Detentor de uma espécie de poder… E atualmente a beleza padronizada esteticamente pelos ditames da moda é um dos requisitos para esse “poder”. Antigamente, os requisitos eram a força física, entre tantos outros. Entendo, também, que esses requisitos de antigamente não se extinguiram, apenas se somaram aos que surgiram na atualidade.”

Quando se fala em metrossexualidade, seria pretensioso definir que as mudanças no comportamento do homem têm origem única. No entanto, a fala do psicólogo Augusto Fracari sinaliza o que pode ser uma das explicações para preocupação estética masculina, que é cada vez mais evidente. Mudança que pode ser comprovada na variedade de produtos desenvolvidos especificamente para atender a “ala masculina”.

Produtos desenvolvidos para o público

De acordo com a Sociedade Brasileira de dermatologia, a fragrância  e a embalagem dos produtos são itens de discussões intensas para que a venda seja de sucesso e alcance o público másculo. Produtos que, aliados às tendências de moda, fortalecem um mercado crescente, que busca atendimento adequado.

De acordo com o cabeleireiro e presidente do Sindicato dos Cabeleireiros do Rio Grande do Sul, Marcello Chiodo, os homens trocaram as barbearias pelos salões. Querem cortes diferentes, com visual baseado em jogadores de futebol, atores de filmes. “Lembra da palavra ‘UNISEX’ na fachada dos salões? Pois bem, essa denominação surgiu nos cursos para cabeleireiros para definir que o salão atendia homens e mulheres. Os barbeiros passaram a atender mulheres também”, lembra Chiodo.  Hoje, existem cerca de 2 mil barbearias em Porto Alegre. Já quando se fala em estética, o número é muito maior – 20 mil estabelecimentos.

E a beleza masculina vai além dos salões de beleza e Estéticas. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica aponta que o número de homens que se submetem a cirurgias plásticas passou de 8% para 28% na última década.  Correções de  calvície, de papada, rugas faciais, ‘bolsas’ sob os olhos,  detalhes no nariz, aplicações de prótese no Tórax,  nas coxas, nas panturrilhas e retirada de gordura no abdome são as plásticas mais procuradas por homens. Valorização da imagem que pode estar relacionada com a moda, com a  desconstrução de preconceitos ligados a masculinidade.

Mudanças que podem surgir de um novo contexto social. “As novas ‘solicitações’ estéticas que surgem devido aos novos padrões de gênero. O que era tipicamente feminino, hoje em dia já não é. A moda, somada a agilidade da comunicação virtual, nos faz mais informados. As transformações sociais mais relevantes, ao meu ver, são as que se referem às constituições de gênero (masculino e feminino)”, explica Fracari.

Metrossexual é o homem heterossexual urbano excessivamente preocupado com a aparência. Que gastam grande parte do seu tempo e dinheiro em cosméticos, acessórios e roupas de marca. A palavra teve origem no final dos anos 90, pela união das palavras metropolitano e heterossexualidade. E quem fala com experiência sobre os detalhes que permeiam o mundo metrossexual é a Rosângela Raphaelli, proprietária do Espaço Estético. E no dia a dia do trabalho ela percebe algumas coisas sobre a vaidade masculina.

Apesar da preocupação estética masculina ser encarada com mais naturalidade, alguns homens ainda resistem em assumir os cuidados. Em uma enquete rápida, cinco homens responderam a seguinte pergunta: Quando você vai à barbearia, ao salão de beleza ou a estética, você utiliza outros serviços além do corte de cabelo? SIM ou NÃO? A resposta “encabulada” de pelo menos três deles foi “sim”, e outros dois responderam, sem rodeios e sérios, um “não”sonoro.

Uma negação que pode conter, nas entrelinhas, uma atitude preconceituosa, que pode ser oriunda da confusão de sentido que o termo metrossexual pode causar. Como assume um dos colaboradores do Aga Maiúsculo, Jaques Machado, que vai comentar no blog as experiências vividas ao embrenhar-se no mundo da metrossexualidade.

Uma das coisas que me chamam a atenção é a confusão que muita gente faz até hoje entre metrossexualidade e homossexualidade. Como quase tudo nos dias de hoje, as pessoas estranham e pré-julgam o que é diferente.  É assim com os metrossexuais. E digo mais, há um preconceito duplo quando são tachados de homossexuais. Mas, e se fossem qual seria o problema?

“Todos sofrem com as manifestações de preconceito, desde as mais sutis até as mais explícitas e violentas, as conseqüências podem ser tão prejudiciais ao homem que possui esse desejo de se cuidar,que podem atrapalhar sua auto-estima, suas relações pessoais e sociais, e causar uma série de transtornos, acredito que tudo que existe precisa ser cuidado, necessita de atenção e sempre que pudermos qualificar e melhorar algo sem comprometer o nosso real desejo, não atrelando as nossas mudanças ou cuidados ao desejo de outros ou aos modismos do momento, devemos sim manter essa relação de cuidado com a estética”, comenta o psicólogo.

O intuito do Aga Maiúsculo é, justamente, desmistificar o termo. E mostrar em detalhes a experiência. Como se propõe o repórter Jaques Machado.

A proposta de que eu comece a viver algumas experiências na área da vaidade masculina é um desafio para mim. Sempre fui aquele que corta o cabelo e só. Não uso cremes, não tiro sobrancelha, enfim… Agora será diferente!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: